1º Capítulo

 

PRIMEIRO CAPÍTULO

Reunião Intercósmica

 

- Sejam bem vindos ao Grupo. Aguardemos mais um pouco a chegada dos demais.

 

Eram assim recebidos todos os que chegavam ao local, sendo apresentados um a um pelo anfitrião. E foi assim que eu também fui recebido.

 

O ambiente não era festivo, porém, também não era enfadonho. Era, digamos, uma atmosfera de bem estar que nos fazia unidos e por isso, felizes.

 

Quando chegava algum dos participantes, nosso “corpo” sentia um ligeiro estremecimento, como se algo se chocasse levemente conosco. Isso dava a impressão de estarmos mais “elétricos” ou “energizados”. Notamos que a cada “choque” a sensação era diferente: de alguns era mais “pesado” e de outros, mais ameno.

 

A curiosidade nos acompanhava e fazia com que observássemos tudo, principalmente por ser a primeira vez que estávamos conscientes, participando em “desdobramento” inconsciente. Dessa vez não. Era diferente.

 

A iluminação, do tipo indireta, fazia com que a claridade fosse igual de todos os pontos, não se vendo nenhuma lâmpada ou foco de onde partisse o clarão. A não ser da mesa onde, me pareceu, que a energia era tamanha partindo dos presentes, que faziam reflexos claros, mais ou menos leitosos, caminhando para um brilho quase transparente.

 

Dava-nos a impressão de que todos nos conhecíamos há bastante tempo, face o entrosamento reinante. Apesar das vestimentas, se assim podemos chamar, serem diferentes.

 

O coordenador, como os demais, vestia um tecido leve, na cor perolada e trazia na cabeça um turbante tipo “olodum”, só que feito de um tecido diáfano e bem mais acabado. Á minha direita, uma jovem ostentava uma tiara prateada que brilhava à medida que falava e realçava ainda mais sua beleza. Seus cabelos longos e esbranquiçados (ou prateados, o brilho não deixava distinguir), caiam pelos ombros. Dava a impressão de ter vindo de uma constelação fulgurante.

 

Estes dois seres se destacavam dos demais. Como já mencionei anteriormente, nossas vestimentas só diferiam em um ponto: a fulguração. Em uns o brilho transparecia; noutros, era como que leitoso, mas dando a impressão de ser bastante confortável – como era o meu caso.

 

- Senhores – começou o anfitrião – o momento de nos unirmos mais estreitamente na preparação regenerativa é chegado. Todos são conscientes de que se faz premente o progresso da Humanidade. As forças que ainda buscam o orgulho e a vaidade dos encarnados precisam ser dominadas. Por isso, essas reuniões se farão mais amiúde para o fortalecimento daqueles que já compreenderam e aceitaram o desafio amorável que nos legou o Mestre dos Mestres.

 

“Há locais no orbe terrestre sendo preparados para apoio aos viajores missionários e vós, responsáveis por estes locais, têm a tarefa de servir de pouso, bem como participarem dos trabalhos interespirituais. Jesus conta convosco, pois já era tempo de assumirdes as posições escolhidas ao partirem para a Terra, reencarnados.”

 

“Levem para as vossas bases os melhores votos de êxito, sabedores de que estaremos constantemente juntos, pois que essa é a necessidade dos viajores das jornadas terrestres.”

 

“Que Jesus vos abençoe e vos fortaleça os propósitos. Enfim N’Ele encontrareis forças para vencerdes a escuridão. Que brilhe as vossas luzes e Louvado Seja Deus, Nosso Criador.”

 

Após a rogativa final, fomos saindo devagar e aí é que fui notando a diferença nas vestes: as translúcidas vestiam indivíduos “soltos” no espaço; as leitosas vestiam os que estavam ligados a um tênue fio que se perdia no infinito.

 

Com a promessa – e a felicidade estampada no rosto – de ser fiel cumpridor da tarefa, despedi-me do “coordenador”, que recomendou:

 

- Acorda e escreve para não esquecer, pois este momento deverá ser narrado aos que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir. Muitos momentos de aflição poderão acontecer e é necessário que estejam a postos para atuarem de acordo com a recomendação do Mestre Divino. E a ti, principalmente, a quem a Misericórdia Divina deu mais um tempo de permanência na Terra, deverá ser lembrado a todo instante.

 

Neste momento, quando convidávamos os conhecidos encarnados para voltarmos, acordei.